SEGUNDA-FEIRA
23 de Outubro de 2017 | 21:54

FIJ elogia relatório da ONU muito crítico com o Iémen

Publicado a 20/09/2017 NOTÍCIAS

Em causa estão constantes violações dos Direitos Humanos e a situação dos jornalistas face à guerra no país.


A Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) elogiou o relatório elaborado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas (OHCHR) sobre a crescente violação dos Direitos Humanos e a situação dos jornalistas no Iémen, exigindo ao governo iemenita que "aceite a sua responsabilidade na situação", durante uma reunião em Genebra com responsáveis do sindicato local, dirigentes de organizações dos Direitos Humanos e Muammar Al Iryani, ministro da Informação do país.

Para Jim Boumelha, que representou a FIJ no encontro, "desde o começo da guerra que os jornalistas vão sendo acusados, por todas as partes em conflito, de prestarem serviços aos inimigos. É por isto que os profissionais dos media enfrentam diariamente ameaças de morte e torturas. Obrigados a trabalhar sem as mínimas condições de segurança, os jornalistas sofrem na pele as consequências dessa insegurança. E as suas famílias também pagam um preço elevado, pois muitos dos jornalistas perderam o emprego ou foram mesmo forçados a deixar o país."

No documento, que será discutido depois de amanhã, a ONU condena o elevado preço que os jornalistas do país pagam e se reflete em mortes, raptos e repressão. "Desde que o conflito começou, uma campanha de repressão tem sido desencadeada contra jornalistas, ativistas e outros membros da sociedade civil através de restrições à liberdade de expressão, intimidação, detenções arbitrárias e ilegais, desaparecimentos e assassínios", lê-se no relatório da ONU que pode ser analisado aqui.

O documento descreve atos de hostilidade e ataque aos meios de comunicação no Iémen e salienta: "Até meados de junho, pelo menos 16 jornalistas permaneciam na prisão, sendo que nove deles foram detidos a 9 de junho de 2015 em Sana'a. Durante meses foram mantidos em isolamento, sem qualquer direito a visitas de familiares durante largos períodos de tempo, além de serem transferidos de prisão para prisão. A OHCHR receia que estes e outros detidos enfrentem sérios riscos de tortura e maus tratos."

A FIJ recorda que, segundo números do Gabinete de Direitos Humanos da ONU, "pelo menos cinco mil civis, dos quais 1.200 crianças, foram já mortos e mais de 8.500 ficaram feridos por causa do conflito".


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